A escassez de água em Portugal

9 Mar 2022

Desde os primeiros anos de escola que se aprende que a água potável é um recurso precioso que deve ser preservado. Mas essa preservação tem-se tornado, ao longo dos anos, cada vez mais urgente.

Portugal atravessa atualmente uma situação de seca extrema. De acordo com dados do último relatório de seca do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), atualmente todo o território português encontra-se em situação de seca meteorológica, com um aumento significativo da área e da intensidade da situação de seca no final de janeiro.

Mas afinal, onde é que que consumimos mais água? Como é que a escassez deste recurso se tem expressado? É possível reverter esta tendência, alterando costumes e poupando este recurso?

Chove pouco

Os dados do relatório do IPMA não deixam dúvidas: desde o início de 2021 que chove muito pouco.

O valor de precipitação acumulado desde o início do ano hidrológico (2021/2022) é muito inferior ao valor médio entre 1971 e 2000. Estes dados vão ao encontro das previsões do IPCC relativas às alterações climáticas, que já previam em 2018 mais intensidade e frequência de extremos de clima, nomeadamente secas.

A falta de chuva influenciou em grande escala a fraca recuperação dos valores de percentagem de água no solo em todo o território continental.  Assim, registam-se valores inferiores a 20 % na região Nordeste e na região Sul, com muitos locais dessas regiões a atingirem o ponto de emurchecimento permanente. A fraca presença de água nos solos portugueses torna-se ainda mais expressiva nas regiões do Alentejo e do Algarve, com parte desse território a apresentar uma percentagem de água no solo abaixo dos 10%.

De acordo com as mesmas estatísticas do IPMA, em janeiro deste ano o armazenamento nas albufeiras de Portugal Continental chegou a ser inferior ao registado na seca de 2005 (a mais severa até agora). 

No final do passado mês de janeiro, 15 das 60 albufeiras em Portugal tinham disponibilidades inferiores a 40% do volume total. A gravidade da situação atual torna-se ainda mais evidente, quando comparados os valores de 2005, ano em que o nível de armazenamento das barragens era 64% superior ao atual.

O consumo de água em Portugal

Segundo a mais recente publicação do Conselho Nacional da Água, no final do ano passado os setores agrícola, industrial e doméstico eram responsáveis pela maior parte da água consumida no mundo, e concretamente em Portugal.

Cerca de 75% do uso de água é referente à agricultura e pecuária, o que faz deste setor o que mais utiliza água em Portugal. Não obstante, a adoção de técnicas que permitem consumir menos água e aumentar a produção tem sido uma preocupação, através da adoção de políticas como investimentos públicos em barragens e perímetros de rega, ou a promoção da limitação e regularização da produção agrícola sem regadio.

No setor industrial (responsável por cerca de 5% do consumo de água em Portugal), a pressão para a redução do consumo de água também tem estado presente, através de licenças ambientais para as fábricas, e a promoção de manuais de boas práticas a nível europeu, que controlem não só os consumos, mas também as emissões poluentes nos rios e nos mares.

O Conselho Nacional da Água prevê ainda que os consumos domésticos (que representam cerca de 20% do consumo de água) não aumentem nos próximos tempos, isto porque a população tem-se mantido e tornado mais consciente a nível ambiental. Todavia, a promoção da reutilização e de uma economia circular pode ajudar a racionalizar água junto deste setor.

A falta de água tem sido nos últimos tempos uma preocupação governamental. Na oitava reunião interministerial da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos efeitos da Seca, foram definidas uma série de medidas relacionadas com estes setores para responder à falta de água. Estas medidas incluem a definição de cotas/volumes de água a partir da qual outros usos podem ficar condicionados, quer seja a produção de energia ou a rega; interdição da produção de hidroeletricidade nalgumas barragens, quando essas cotas forem atingidas; intensificação do acompanhamento da evolução do estado das culturas ao nível das Direções Regionais de Agricultura; ou a avaliação da possibilidade de instalar pontos de água ou cisternas associadas a albufeiras de águas públicas, garantindo uma rede de suporte em situações de contingência de seca.

Importância da monitorização e poupança de água:

Face à situação de escassez de água, torna-se urgente a procura por soluções que nos permitam superar os períodos de seca e encontrar alternativas para a otimização dos recursos hídricos.

De acordo com o Conselho Nacional da Água, o setor da água tem melhorado muito desde os anos 90, através de boas políticas e fundos comunitários que mitigam a poluição da água e melhoram as condições de abastecimento e saneamento da população. Apesar disso, continuam a subsistir alguns problemas que contribuem para a crescente escassez de água, entre eles a ineficiência na utilização de água enquanto recurso.

Segundo o Plano Nacional para o Uso Eficiente da Água 2012/2020, cuja renovação chegou a ser debatida em parlamento, existe ainda uma parcela importante de desperdício, e grandes oportunidades para uma melhoria significativa do consumo de água em todos os setores, com impactos ambientais, sociais e económicos. Assim, parte da solução para a poupança deste recurso está numa monitorização inteligente, que promova uma gestão eficiente e, consequentemente, a redução de perdas de água desnecessárias.

Na BE Bluenergy a preocupação com a gestão eficiente dos recursos hídricos é uma constante. Através de relatórios, alertas e ferramentas de analytics é possível detetar anomalias, como é o caso das fugas de água e, consequentemente, poupar milhares de litros de água (e euros).

Promover o uso eficiente da água em Portugal, contribuindo para a minimização dos riscos decorrentes da carência de água intensificados durante os períodos de seca é fulcral. Junte-se à BE Bluenergy, por um futuro mais sustentável.

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